domingo, 24 de julho de 2011

Relatando vivências na EJA


Relatando vivências na EJA

É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente. Mulheres e homens se tornaram educáveis na medida em que se reconhecem inacabados.
Paulo Freire


Neste meu caminhar enquanto coordenadora pedagógica da rede municipal de ensino da cidade de Salvador, quando podia afirmar com certeza que já havia me apropriado do meu fazer e da minha identidade enquanto coordenadora, com total clareza de meu papel profissional, eis que fui desafiada a percorrer um caminho novo, um caminho nunca antes trilhado: a coordenação do SEJA.
Aí, vivo agora um novo momento profissional, a busca incessante por conhecer, por me apropriar, da melhor forma possível, pelo menos teoricamente, daquilo a que me propus e que é meu trabalho fazer: orientar o trabalho do professor.
Neste novo caminhar é que entrei em um curso à distância, busquei livros, revistas, artigos, enfim, fui ler, ler, ler e ler!
Dessas leituras comecei a construir algumas coisas sobre a educação de jovens e adultos no Brasil, sobre a realidade da EJA, sobre a forma como se dá a construção de saberes, dentre outras.


A realidade da Educação de Jovens e Adultos

Nos últimos anos, devidos aos inúmeros projetos voltados para a erradicação do analfabetismo no Brasil, cada vez mais jovens e adultos têm procurado as escolas com o objetivo de melhorar a sua qualidade de vida e também, para atender aos perfis exigidos pelos mercados de trabalho.
Muitos desses alunos passaram anos sendo reprovados pela escola até evadirem, outros, abandonaram-na cedo demais por que tiveram que precisavam trabalhar, enquanto outros, nem sequer chegaram a adentrar ás suas salas de aula. Quando retornam à escola depois de adultos, voltam  por que o mercado de trabalho exigiu, por que a luta pela sobrevivência se torna menos cruel quando se tem um ano a mais de estudos no currículo. Assim, os alunos da EJA retornam à escola ainda meio envergonhados, num espaço que não é seu, num lugar que ele não sente como seu.
O aluno da EJA é, por diversas razões, um aluno especial, com especificidades próprias em tudo diferente do aluno regular. E o que o distingue não é o turno de estudo, mas sim a forma como se constituiu a sua relação com a escola, com a aprendizagem e com o ensino formal.
O aluno da EJA é, por diversas razões, um aluno especial, com especificidades próprias em tudo diferente do aluno regular. E o que o distingue não é o turno de estudo, mas sim a forma como se constituiu a sua relação com a escola, com a aprendizagem e com o ensino formal.
Por todas essas questões é que o trabalho do professor de jovens e adultos precisa ser o de conquistar e reconquistar o seu aluno a cada dia, mostrando-lhe a importância da escola, provando-lhe que ele tem direito a estar  naquele espaço e a receber educação de qualidade. Mais do que ensinar a ler e a contar, o professor precisa despertar nesse aluno adulto que vem com uma enorme bagagem de vivências e experiências, a importância da leitura e da escrita enquanto instrumento de luta política, enquanto instrumento de busca por seus direitos enquanto cidadão.
Os alunos da Educação de Jovens e Adultos precisam saber qual é, de fato, qual a função social da escola e são os professores os responsáveis por mostrar-lhes essas funções.
Trazer o mundo para a sala de aula e, a partir dele, promover aprendizagens significativas é o papel do professor da EJA. Sim, mas, e o meu papel enquanto coordenadora, orientadora do trabalho pedagógico desse professor; como fica? Que lugar é esse que o coordenador ocupa?
O que tenho percebido é   que, talvez, o que tenho de mais importante a ensinar é a importância da motivação, da não infantilização do aluno adulto e da contextualização do planejamento pedagógico.
Muitas vezes os professores elaboram ótimas atividades didáticas mas que terminam tendo um fim em si mesmas por que não conseguem transformá-las em boas situações de aprendizagem para o aluno. Não conseguem perceber que a intervenção adequada é o que faz o aluno sair da zona de desenvolvimento proximal para ir para a zona de desenvolvimento real.
Boas situações de aprendizagem fazem com que professores e alunos percorram juntos um caminho de construção e expressão de conhecimentos. Ele, compartilhando experiências e saberes, ela, dando-lhe voz e intervindo em seu modo de pensar através de perguntas e questionamentos, fazendo-o pôr a prova tudo o que sabe sobre o assunto. A construção do conhecimento é sempre uma via de mão dupla.


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